13. Dalila Pereira da Costa e as Raízes Matriciais da Pátria

13. Dalila Pereira da Costa e as Raízes Matriciais da Pátria

COLECÇÃO LUSÍADA

Vários Autores
Nº 13 | 192 páginas | 1998
Formato: 160 x 230 mm

P.V.P. 15,00€

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«Retenham-se as palavras da Autora de A Nau e o Graal neste passo: “… isto o que estava dito nos Descobrimentos: a salvação, redenção da matéria: sob a face cósmica da Terra. O homem salvandose, mas com ele, a natureza. Seria esse o sentido da busca das Índias.”

Do enriquecimento do estudo das religiões, em particular nos valiosos contributos de Georges Dumézil, Mircea Eliade, Rudolfo Otto, tornou-se público que sempre nas estruturas arcaicas – base de toda a civilização tradicional e primitiva – sempre presidiram duas ideias fundamentais: a do Centro e a da Origem, as quais, em si-mesmas, complementando-se, se completam. Ora, revertendo ao particularismo da nossa condição de portugueses, perdida que foi, pelo afastamento do Conhecimento primordial, esta unidade arquetipal (tal como se perdeu, a partir do século XVI, a noção de Realeza, da vigência de um Rei instituído na função de soberania divina e potência de salvação), restou, para a via gnósica, tão-só a mediação da Saudade. Seu anverso, talvez se circunscreva nos ritos e na singularíssima tradução popular da religião cristã, que, na terra lusa, revestiu os cultos ancestrais com os princípios da nova era. Ainda mal definidas as fronteiras do território e logo em gesto primacial, no mapa do mundo cristão, se tributava entre nós especial culto a Maria, para protecção a Portugal e consolação aos aflitos. Elo de mediação entre a Essência e a Substância, entre a Terra e o Céu ela encarnará o emblemático pontificado lusitano, tornando-se o local de sua hierofania num autêntico “altar do Mundo” e nele se prefigurando toda a simbologia do centro, espaço privilegiado onde a Terra e o Céu se tocam.

No trânsito destas páginas ditas de “ensaios portugueses” acorre a interpretação sobre a preeminência do Anjo na soteriologia histórica de Portugal, a mostração do conhecimento unitivo na poesia galaico-portuguesa e a lembrança do transcendentalismo panteísta da Renascença Portuguesa. Nem sequer é omissa a sublimação noética da Criança Divina na mitografia pátria e a presentificação do Mistério e do Absoluto em poetas como Antero de Quental e Guerra Junqueiro. Tudo se perfaz aqui como mensagem, ainda especialmente dedicada aos jovens arqueólogos portugueses e às novas gerações, na esteira, aliás, do que a preclara Autora já expressara nas páginas iniciais dos Jardins da Alvorada.

No início-momento do círculo bailam estas palavras: “Todo o português é um penitente e um homo viator. [ … ] Sempre procurando, através de dores e sofrimentos sem conta, a pátria original, ou esse paraíso perdido. Em viagens no mundo exterior ou no mundo interior, sempre através e vencendo um Mar Tenebroso: na lama ou na terra, para, através desse mar de escuridão, como purgatório, atingir a própria santificação.”»

Paulo Samuel

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