01. A Ideia de Portugal na Literatura Portuguesa (…)

01. A Ideia de Portugal na Literatura Portuguesa (…)

COLECÇÃO LUSÍADA

António Quadros
Nº 1 | 302 páginas | 1988
Formato: 160 x 230 mm

P.V.P. 25,00€ (esgotado)

Mais informações:
info@fundacao-lusiada.org

“A Ideia de Portugal na Literatura Portuguesa dos Últimos Cem Anos”

«Quando Reinhold Schneider na sua famosa conferência Europa e a alma de Portugal dizia ser o nosso país a mais europeia das nações, fundamentava-se no fenómeno do seu ecumenismo, iniciado com o ciclo dos Descobrimentos. É através da empresa lusíada que a Europa se descobre Europa, face a uma outridade de que até então não tomara plena consciência. O ecumenismo helenístico-mediterrânico na Antiguidade, ou hebraico-cristão na Idade Média, tivera afinal os horizontes curtos do continente europeu ou euro-médio-oriental e do mar com fim, o ecumenismo português não tem limites, é o do mar sem fim, para utilizar a expressão bem conhecida de Pessoa.

Para o malogrado filósofo alemão, a Europa é uma comunidade de povos, cada qual com a sua personalidade, com a sua mensagem especial; e só enquanto estas se afirmem como unidade a Europa persiste. É certo que a consciência da unidade tem de ser superior, mas de um grau apenas, ao amor à individualidade; se quiséssemos ignorar ou esbater os perfis dos povos, tudo quanto devemos preservar e defender estaria perdido. Schneider proferiu estas palavras na primeira conferência realizada pelo Instituto Alemão de Lisboa, em 1958, já na perspectiva do euromercado. E acrescentou que a Europa na sua intrínseca estrutura é um apaixonado protesto contra qualquer simplificação, qualquer plausível solução, qualquer tentativa de redução de homens e povos a um denominador comum.

Que é a Europa, disse, senão um delta, em que o rio se ramifica antes da embocadura? Que é a Europa, ao mesmo tempo una na ascendência espiritual da Grécia e de Roma, e diversa na fidelidade às suas diferentes tradições, senão um grandioso projecto, um salto para além dos mares, para lonjuras somente pressentidas e contempladas mas indescritíveis? Que é a Europa senão um anseio para além de si própria? É por isso que é aqui, precisamente aqui, no extremo Ocidente, onde a costa se despenha, onde o mar tenebroso negreja como promessa, sedução e perigo, que se desvenda a essência da Europa – tal como a constituição das camadas de um terreno no ponto da fractura.

Qual o princípio essencial das nacionalidades? Qual a sua razão de ser como comunidades independentes, na história e no espaço continental ou mundial em que se situam? Eis interrogações a que, pode dizer-se, cada concepção filosófica, ideológica ou sociológica dá a sua resposta. As nações existem e subsistem no tempo porque o sentimento de apego ao solo e às raízes, a que se junta toda a carga psíquica ou emotiva de uma herança tradicional, criando laços unitivos entre os componentes de grupo humano, se exprime pela vontade de autonomia política?»

Outras Publicações