19. Colóquios – Seminário da Literatura e Filosofias Portuguesas

19. Colóquios – Seminário da Literatura e Filosofias Portuguesas

COLECÇÃO LUSÍADA

Vários Autores
Nº 19 | 139 páginas | 2001
Formato: 160 x 230 mm

P.V.P. 15,00€

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info@fundacao-lusiada.org

ACTAS – UNIVERSIDADE DA MISERICÓRDIA DE FRIBURGO

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«Filosofia portuguesa é uma tradição actual de curiosidade que as imagens leonardinas definem. O que Álvaro Ribeiro, portuense emérito, e figura maior de asceta e de filósofo – ele corporiza a ascese filosófica na sequência de uma linha de vida que decorre de Amorim Viana a Leonardo Coimbra, via Sampaio Bruno – o que, dizíamos, Álvaro Ribeiro propôs não é mais, nem menos, do que esta simples regra: filosofia portuguesa é o acto de filosofar em português com toda a carga de existenciais que o português transporta para o acto de filosofar. Como a ave, que tem asas, e voa e, não obstante, tem pés, e anda.»

P. Gomes

«Como disse Fernando Pessoa, “a base da pátria é o idioma, porque o idioma é o pensamento em acção, e o homem é um animal pensante, e a acção é a essência da vida. O idioma, por isso mesmo que é uma tradição verdadeiramente viva, a única verdadeiramente viva, concentra em si, indistintiva e naturalmente, um conjunto de tradições, de maneiras de ser e de pensar, uma história e uma lembrança, um passado morto que só vale poder vencer.”

E acrescentou: “Não somos irmãos, embora possamos ser amigos, dos que falam uma língua diferente, pois com isto mostram que têm uma alma diferente. Estamos, neste mundo, divididos por natureza em sociedades secretas diversas, em que somos, iniciados à nascença, e cada um tem, no idioma que é o seu, a sua própria palavra de passe” (O sentido de Portugal).

Por isso, pela voz do seu semi-heterónimo Bernardo Soares, escreveu lapidarmente: “Minha pátria é a Língua portuguesa”.

A dimensão universal dos países ou das comunidades não se mede em termos de quantidade. Não são criadores de civilização, não são arautos do futuro, não são agentes do movimento histórico que amplia e enriquece a humanidade os países ou as comunidades por terem milhares de quilómetros quadrados, centenas de milhões de habitantes ou um grandioso potencial económico ou bélico.

Todas as nações são mátrias a um nível, mas só quando reconhecem e assumem a pátria ou o espírito dinâmico a que realmente pertencem, são capazes de virar o curso da história e, como cantou Camões “dar novos mundos ao mundo”, ou como disse Fernando Pessoa “descobrir uma Índia nova que não vem nos mapas e é feita da matéria dos sonhos”. No meio de impérios esmagadores, um pequeno povo, judaico, porque se reconheceu pátria, transformou a história; a pequena cidade de Atenas criou uma civilização que viria a alargar-se a todo o globo; e o diminuto Portugal do século xv, que não tinha dois milhões de habitantes, fez explodir a revolução que modificou radicalmente o Mundo.

É nossa convicção que Portugal e Brasil de hoje, politicamente independentes e autónomos no plano da mátria ou da nação, todavia se unem na vinculação a uma pátria transcendente, representada em primeiro lugar pela língua comum, veículo de um espírito irradiante, expansivo e exigente do dinamismo que lhe estamos a negar, por desacerto filosófico. Que pátria é esta? A nossa pátria é a língua portuguesa. Não é Portugal e não é o Brasil. É infinitamente mais antiga, mais profunda, mais promissora e mais futurante. Falta-lhe um nome, que não ousaremos propor. Pátria paraclética, pátria espiritual, pátria movente, pátria todavia encoberta e em transe de revelação no drama e na epopeia da nossa história. António Vieira, um luso-brasileiro, chamou-lhe Quinto Império.

António Quadros

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