2017/02 Fevereiro

2017/02 Fevereiro

A razão de Portugal, a razão de ser de Portugal, é antes de tudo – uma Razão Teleológica, isto é: uma razão aberta para com um “Telos”, ou um fim, que é a justificação última do seu movimento no Tempo e no destino.

O “Telos”, no conceito mais exigente e profundo da filosofia portuguesa da história, é um “Eschaton”, um fim último e por isso um Camões, ou um Vieira, um Bruno, um Pessoa, um Pascoaes, um Agostinho da Silva, ou um Álvaro Ribeiro, não podem circunscrever-se em sua visão e teoria, aos fins limitados e medíocres que, segundo as filosofias reducionistas, teriam ordenado a nossa razão histórica para a acção e para o futuro.

Ao contrário, é sua convicção, dita de várias maneiras, que o povo português, formando no conjunto e na hierarquia intelectual dos seus extractos a nação portuguesa, teve um projecto, ou melhor, guarda nos seus arcanos, no seu inconsciente arcaico, na cifra da sua língua e cultura, na sua memória inconsciente, no seu imaginário, no seu pensamento implícito e por vezes explicito, um projecto, a que chamamos um projecto “aureo” de realização da humanidade”.

António Quadros
In Portugal, Razão e Mistério