2016/04 Abril

2016/04 Abril

Sonhei ser Eu, e descobri a Tela
Onde o Sol pintou em várias esferas
O círculo, a Hora oculta, o Espaço, a Vela
Onde Portugal sagrou diversas eras.
E, hoje, Alcântara-porto é cais do Céu
Que abriga Orpheu, o mar e as estrelas,
Com que El-Rei irá nascer do véu
Que o nevoeiro, um Ser, lhe trouxe em telas.
E a orla da Europa, olhando a Terra
Onde outrora só havia Forma e Zeus
Assinala o Oceano, o Vento, a Serra,
As cinco Quinas navegadas pelos seus.
E, em febre, aponta a ‘strada que não erra,
À noite gloriosa onde o Ser encontra Deus…

Soneto dedicado a Almada Negreiros
No Livro de Poemas O Último Rei de Portugal

Da autoria da poetisa
MARIA AZENHA

Edição de Fundação Lusíada – 1992