2014/06 Junho

2014/06 Junho

Aparecem na grande cena do mundo certos demagogos, certos revolucionários, que no fundo da sua alma não querem, nem Rei nem Roque, nem Constituição nem Ordenação, nem forma alguma de Governo, que não seja uma tumultuosa, e mal entendia democracia. Como verdadeiros camaleões, tomar sempre diversas cores, e diferentes aspectos, dão tombos como as enguias; mas quem olha para elas e para os tombos, sempre descobre o rabinho, que se inclina, e toma a direcção da água. Inculcam e assoalham planos de reformas, procuram embuir os incautos com mudanças e melhoramentos, fazem arear as classes, que a soberba julga ínfimas no povo com as nivelações e igualdades diante da Lei, detrás da Lei, à ilharga da Lei.

Os Povos, que, enfim, não são tão tolos como eles os querem fazer ou querem que sejam, começam a desconfiar de tanta manteiga, e de tão palavrosos impostores; e pelo que eles começam a fazer, e a decretar, conhecem que o fim máximo destes perturbadores do sossego das Nações, é roubar, e dominar; a reacção é igual à compressão, e a elasticidade moral é mais valente que a elasticidade física; e por um impulso natural e unanime recalcitra, e diz altamente que não está para aturar uma cambada de arlequins e saltimbancos, uma caterva de tira-dentes…

Carta 2ª de Pe. José Agostinho de Macedo a J.J.P.L. – Lisboa, 1827.