2014/02 Fevereiro

2014/02 Fevereiro

Mãe:
Vem ouvir a minha cabeça a contar históricas ricas que ainda não viajei!
Traz tinta encarnada para escrever estas coisas.
Tinta cor de sangue, sangue verdadeiro, encarnado.

Mãe, passa a mão pela minha cabeça!

Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens!
Eu vou viajar. Tenho sede!
Eu prometo saber viajar.

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Mãe, ata as tuas mãos às minhas, e dá um nó cego muito apertado! Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa. Eu também quero ter um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa.

Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!

Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!

José de Almada Negreiros
em “A Invenção do Dia Claro”