2012/11 Novembro

2012/11 Novembro

Eram de rocha viva as ameias crestadas,
Para gigantes e condores!
Hoje das pedras mutiladas
Fazem cascalho nas estradas
Os britadores.

Cantaram sobre nós, montante, adaga e lança
Trinta epopeias
Ei-lo o inimigo, ei-lo que avança:
Vai metralhar-nos? Que nos lança?
Merda às mãos cheias.

Claustros, abóbadas, arcadas
Muros batidos do tufão.
Campas partidas e violadas
Tudo no chão!

No chão rosáceas e cruzeiros,
Grimpas, zimbórios, campanis…
Em tumbas negras de mosteiros,
Onde dormiram cavaleiros
Santas e heróis, dormem répteis!

Onde a grandeza, onde a pujança
Do Lusitano, ao medo alheio?
Que resta enfim da nossa herança?
Porcos da vara de Bragança,
Grunhi nos túmulos! Dizei-o!

Dizei, poltrões, dizei cevados
Que resta enfim da nossa glória?
Que é da altivez? Jogam-se aos dados…
Que é do estandarte? Ei-los em bocados…
Que é da Nação? Morreu na história!

Do imenso império extraordinário
Só aos ladrões ficou defeso.
O espaço triste e necessário
Onde o Bretão erga um Calvário
E cuspe rindo, o seu desprezo!

E o povo? Inerte. E o rei? À caça.
Quem é que impera? O Deus Milhão
Ah! Como é bom em tumba escassa
Longe do Sol que vê tal raça
Dormir, dormir na escuridão

Por terra a túnica em pedaços,
Agonizando a Pátria está
Ó MOCIDADE, oiço os teus paços!...
Beija-a na fronte, ergue-a nos braços
Não morrera!

Guerra Junqueiro: “FINIS PÁTRIAE